A dor nociplástica é provavelmente a menos conhecida pelo público.
Ela ocorre quando existe uma alteração da nocicepção, sem que a dor possa ser totalmente explicada por uma lesão ou ameaça clara aos tecidos e sem evidências suficientes de uma lesão ou doença do sistema somatossensorial que explique o quadro como dor neuropática.
Uma maneira simples de compreender e pensar no sistema de proteção do organismo como um alarme.
Na dor nociceptiva, existe algo acionando esse alarme, como uma lesão ou inflamação.
Na dor neuropática, existe uma alteração ou lesão envolvendo o próprio sistema nervoso.
Na dor nociplástica, a maneira como o organismo processa e modula os sinais relacionados à dor está alterada, podendo ocorrer maior sensibilidade e uma resposta dolorosa desproporcional aos estímulos identificáveis.
Em condições normais, o alarme dispara quando há uma ameaça real, como uma lesão ou inflamação. No entanto, em algumas situações, o alarme pode disparar mesmo na ausência de uma ameaça clara, resultando em dor persistente e desconforto.
Isso não significa que a dor é imaginária ou "psicológica". A dor nociplástica é real e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida, mesmo quando não há uma causa física evidente. A própria definição internacional de dor reconhece que a dor é uma experiência sensorial e emocional, e que fatores psicológicos podem influenciar a percepção da dor.
Pode estar associada à hipersensibilidade, dor em várias
regiões, fadiga, sono não reparador e maior sensibilidade a
estímulos.
Por exemplo:
- Fibromialgia: dor generalizada, fadiga e distúrbios do sono. É um dos exemplos mais frequentemente associados à dor nociplástica e à hipersensibilidade dolorosa.
- Dor lombar crônica: em determinados pacientes, a persistência da dor não é completamente explicada por alterações estruturais e pode apresentar componente nociplástico.
- Dor cervical crônica: alguns quadros persistentes também podem apresentar características compatíveis com mecanismos nociplásticos.
O sistema responsável por perceber, regular e responder aos sinais relacionados à dor pode tornar-se mais sensível, fazendo com que a experiência dolorosa persista mesmo quando uma lesão tecidual não explica completamente sua intensidade ou duração.